Dezembro
Dia 07 de dezembro, naquele momento tudo já havia mudado. Não iríamos ter as músicas ruins de Natal, as confusões de família, o karaokê desajeitado conduzido pela bebida alcoólica. Dessa vez, dezembro era silêncio — infelizmente em diversas partes.
O lado ruim de ter poucas coisas que te incentivam a ficar é miseravelmente depender de todas essas coisas. Então, se algo dá errado, ou essa pessoa que se torna o seu alicerce dá errado ou faz algo errado, é como se sua vida se transformasse em ruínas, desmoronando...
Me arrependo de ceder lugares de segurança para as pessoas, considerando que nem eu mesma tenho um lugar de conforto — aquele lugar de conforto que não machuca, que te entende e que te abraça.
Eu poderia fazer um super drama e perguntar aos céus por que, ao invés de enfrentar lutas de carne, eu enfrento lutas internas tão dolorosas. Mas, de verdade, acho que hoje não sinto nada...
“Você não está triste?” Estou. Mas, quando você se acostuma a ser dilacerada tantas vezes, simplesmente só sabe que, mesmo que tudo desmorone hoje, você acordará viva amanhã.
Surpreendentemente, dessa vez eu só não sei que direção seguir, porque estou realmente cansada. Mas sei que irei sobreviver da maneira que as pessoas querem, o que infelizmente, pra mim, não é o suficiente.
Por que todos esperam que sua carne sobreviva, mesmo que você ande vazia? Pelo menos eu vendo a eles a sensação de que estou aqui — só pra quando precisarem de mim. Mas e quando eu precisar deles?
Acho que nunca encontrei conforto na vida. O pouco conforto que tive passou tão rápido que nem deu tempo de notar que eu estava vivendo uma boa fase. Isso não torna todos os dias ruins, mas não há mais significado, não há mais felicidade genuína.
Dezembro de 2025 se tornou frio. Embora eu goste de frio, ele se tornou tão gelado ao ponto de queimar. E pode apostar que queimaduras de gelo são tão ruins quanto as de fogo... mas fogo tem emoção, e o frio só é frio: gélido e difícil até para plantas da natureza.
Dessa vez eu me pergunto para onde devo ir, quem eu preciso abandonar ou que máscara devo vestir agora. Mas volto a dizer que, dessa vez, eu não sei. Talvez eu não consiga entregar o que eles esperam de mim agora.
Largar um amor, ignorar minha mãe, pensar no trabalho apenas como uma forma de ganhar dinheiro sempre funcionou. Mas por que me sinto tão mal desta vez? Talvez porque o agora sempre dói mais do que o passado. Quando pensamos em coisas que já se passaram, não temos recordação do sentimento em toda sua totalidade. Mas ainda sinto que, dessa vez, estou ainda mais perdida. Talvez as forças tenham acabado?
Sei que não posso continuar assim, porque tudo me corrói por dentro. E, quando olho para o espelho, eu não me sinto mais. Não sinto aquele brilho que, mesmo com alguns pontos ruins, era suficiente para me lembrar de que eu não deveria abrir mão de mim mesma. Mas cadê tudo isso? Onde eu guardei essa parte de mim que, por mais que deixasse algumas lágrimas escorrerem, estava disposta a fugir de lugares que já não me cabiam?
Por fim, dezembro é frio — assim como só novembro era frio. Ano que vem talvez janeiro seja frio. E o único calor que sinto na minha mente é o que tenho que, a todo custo, me afastar, porque senão eu serei fria.
FIM
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